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Quinta-feira, 23 de Novembro de 2006

Reabilitar a Baixa Pombalina e recuperar o Palácio Alverca

João Proença

Presidente da Casa do Alentejo

 

Em primeiro lugar, esta questão não é nova. Há décadas que ouvimos falar da realidade: a Baixa de Lisboa perde habitantes. Os bancos e as companhias de seguros foram adquirindo edifícios, foram ocupando território e empurrando os seus habitantes para fora deste espaço. Infelizmente, o património edificado está cada vez mais degradado. A população residente é cada vez mais idosa. Sabe-se que vivem na Baixa idosos que mal saem de casa. Vivem, segundo sei, nos pisos superiores e, portanto, com maiores dificuldades de acesso.
Nos pisos rasteiros, na melhor das hipóteses, há comércio. Mas este tem poucos clientes, cada vez menos. Daí que se fale de dificuldades crescentes e de falências à vista. Portanto, uma situação social e económica complicada.
Como já foi referido, o património está cada vez mais velho e degradado. Muito, mas mesmo muito desse património, é propriedade do Estado. Isso, ao contrário do que deveria acontecer, não é um elemento que venha facilitar a reabilitação do edificado. Pelo contrário, o que todos temos visto é que os edifícios que são propriedade do Estado encontram-se tanto ou mais degradados do que os de propriedade privada.
Reabilitar e reanimar a Baixa é fundamental! É preciso actuar rapidamente. É imperioso travar a degradação e trazer para esta área um maior número de habitantes. É um desafio de primeiro plano. Um grande desafio.
Há muitas frentes de combate que têm de ser abertas e que exigem, em meu entender, três abordagens: em primeiro lugar, mobilizar muitas vontades; em segundo, coordenar muito bem essas vontades e em terceiro reunir uma verba considerável.
Os projectos, os planos e as ideias têm-se multiplicado. Ao longo de décadas, cada geração tem tido a sua perspectiva e dado a sua opinião. Cada época tem reflectido as questões que considera mais importantes. Prova disso são os termos utilizados na imprensa: “Reabilitar Lisboa”; “Revitalizar a Baixa”; “Reanimar o Comércio”; “Recuperar Habitantes”.
Várias personalidades se têm manifestado relativamente aos objectivos de um plano que a Câmara de Lisboa aprovou. Do que se conhece desse plano, julgo que já é legítimo dar duas ou três opiniões centrais. Por um lado, o plano alastra para lá da Baixa e isso pode dificultar os consensos nesta fase do processo; por outro, o planeamento financeiro, como nos é apresentado, é muito frágil e pouco explícito - ficamos sem saber de onde vem a verba, se está assegurada ou se se trata apenas de um simples estudo aproximativo, feito sem rigor. Finalmente pergunta-se: para quem se vai reabilitar a Baixa? Para as camadas de elite? Isso é muito perigoso. Estaríamos, então, a criar um gueto.
Terminando a minha análise, refiro, naturalmente, a situação em que se encontra a Casa do Alentejo. O Palácio Alverca, a nossa sede, está na Baixa e trata-se de uma peça única de património a preservar. Esperamos e confiamos que a sua reabilitação se concretize e que se torne uma realidade rapidamente. É urgente que tenhamos algum apoio. Preservar e reabilitar um palácio seiscentista que encerra um património histórico e cultural de grande dimensão é fundamental para a cidade e, especificamente, para a Baixa Pombalina.

publicado por O provedor às 13:00
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4 comentários:
De Nuno a 23 de Novembro de 2006 às 17:16
As camadas de elite dificilmente se apanhariam a viver na Baixa. Pelo menos se não forem constituídas por sujeitos excêntricos, ou com tendências masoquistas. Não é apenas em Lisboa, é mais generalizado, mas o que importa agora é dizer o seguinte: no centro de Lisboa há 2 problemas, que são excesso de carros e baixa densidade populacional. Tudo o resto é relacionado ou causado com estes 2 problemas.

Para ressuscitar a cidade é preciso gente, gente nova. Gente que acenda as luzes das suas casas, que resida de forma suficientemente permanente para constituir uma vizinhança, mas renovável. Para não agravar o problema actual, gente que não tenha carro.

Deveria ser óbvio que este perfil corresponde aos estudantes universitários. Tanto quanto sei, nas outras cidades europeias que têm universidades grandes, há estudantes a viver lá e há renovação todos os verões, quando as residências universitárias deixam de o ser e se convertem em hoteis ou pousadas, recebendo outras pessoas que vêm temporariamente viver essa cidade.

Ocasionalmente ouve-se empresários do turismo dizer que não pretendem servir o turista "de mochila às costas". Melhor. Assim não haverá medo de se canibalizar mercado dos operadores actuais. Fechem-se os institutos públicos, vendam-se os prédios públicos para quem queira fazer residências universitárias e hoteis e aí teremos chances de ver o centro de Lisboa com gente. Enquanto tal não suceder, não vai haver dinheiro público, nem investimento privado, nem massa crítica para justificar seja o que for: policiamento, limpeza, ajardinamento, transportes públicos, lazer & cultura, etc, etc, etc.

Havendo esta população dinâmica, outros projectos seriam lançados por arrastamento: Sta Apolónia voltaria a ser a Estação Central em vez de antro que só enoja, levando passageiros para o Oriente; o caminho entre Cais do Sodré e a Expo poderia ser uma continuação das Docas de Alcantara, mas com habitação no lugar de estacionamentos; a linha de comboio de mercadorias do Porto de Lisboa poderia bem dar lugar à comboio ligeiro entre Cais do Sodré e Expo; os armazens ao longo da Av. Infante D Henrique que estão a servir de estacionamento para as empresas da área poderiam ser recuperados para mais empresas, mais estúdios, mais casas e áreas de lazer.

O primeiro passo é só um: a CML deixar de açambarcar prédios que não usa e concessiona-los para usos que favoreçam a cidade. Simples. Em vez de se insistir em obter muito lucro multiplicado por poucos clientes, é inverter a proporção das coisas.
De AnaC. a 26 de Novembro de 2006 às 08:51
Julgo que importa referir o curioso que é o facto de Lisboa(centro) ser, conforme um jornal referiu, a capital onde os habitantes mais jovens e outros saem. Porque na grande generildade das capitais europeias esse fenómeno é precisamente o inverso. Parece-me que esta situação deveria ser um bom ponto de partida de reflexão. Acrescentando o facto de muitos sairem, ou nem a procurarem, e por outro lado albergar cada vez mais imigrantes oriuntos de vários locais do planeta. O que é que atrai uns e repele os outros? Será que se pode dizer que é o custo de vida?
Ana C Rainha
De nmlima@gmail.com a 5 de Dezembro de 2006 às 11:30
Provavelmente a razão para esse êxodo tem que ver com o mercado de habitação disfuncional. Por um lado, os preços de venda são absurdos para uma cidade semi-abandonada; por outro, o aluguer é feito a preços especulativos, ou então com base numa competitividade falsa, resultante da fuga ao fisco de quem arrenda sem passar recibo. Por isso o imigrante arrenda enquanto que o português foge para o subúrbio. O preço é semelhante, mas a renda ao abrigo do RAU e as prestações da casa são dedutíveis em sede de IRS. Para muito imigrante nada disto é relevante, e para muito senhorio é preferível perpetuar este ciclo de aumento de preço no imobiliário, que é pagar a casa nova com a renda da casa velha.
De JoanaTorrado a 27 de Novembro de 2006 às 18:38
Olá.

O Blog está em destaque (aqui: http://blogs.sapo.pt/destaques.bml).

Parabéns e boa continuação.

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