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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2006

Entre colunas, refundamos a Baixa

Vasco Massapina

Arquitecto

 

Convém que se saiba que, já a 1 de Agosto de 1991, Jorge Sampaio, eleito então presidente da câmara, determinou um prazo de 60 dias para que se desenvolvesse “um programa de intervenção no âmbito de uma operação integrada...” no Terreiro do Paço e que “se iniciassem contactos com a administração central, com vista à desafectação dos pisos térreos dos edifícios dos ministérios”. Estávamos no rescaldo da calamidade do incêndio do Chiado de Agosto de 1988.
Convém que se saiba que as pioneiras operações de reabilitação urbana em Lisboa são do tempo do engenheiro Francisco Abecasis e tiveram origem num despacho de Fernando Gomes, que criou os “gabinetes técnicos locais” de Alfama e Mouraria.
A reabilitação da Baixa-Chiado, onde se inclui a transformação do Terreiro do Paço em espaço de lazer e pólo económico-cultural, é uma ideia óbvia, inatacável: hotéis, restaurantes e esplanadas serão actividades que, em conjunto com um sistema de transportes e acessibilidades apropriado, ajudarão ao restabelecimento da ligação entre a praça e o rio.
Mas o problema do Terreiro do Paço – hoje em dia – já não é tanto o que fazer dele, mas sim do tempo que passa, pois o período de vida e a estabilidade do Terreiro vão-se esgotando, até que um dia uma outra calamidade determinará... a resolução rápida do assunto...
Ao ler-se a Proposta de Revitalização da Baixa-Chiado, apresentada pelo Comissariado criado para o efeito, sobressai em primeiro lugar a constatação dos 274 259 metros quadrados de área de construção devoluta ou vazia, luxo a que Lisboa não pode dar-se.
Luxo, aliás, que “viciou” outras áreas históricas, de outras cidades esvaziadas economicamente. Por isso se saúda a “obsessão” de adoptar uma “matriz de política pública”, em que se considera o “património como valor de investimento” e a compatibilidade possível entre a “salvaguarda” e o “criar de novo”.
É que a Baixa não terminou ainda a sua construção, a área edificada pode ainda não estar esgotada, e consequentemente as operações de reabilitação arquitectónica poderão fomentar o revigoramento simultâneo e contínuo de todos os elementos que compõem o tecido urbano.

Caldear culturas


Lisboa, cidade que em todos os tempos soube caldear culturas, fundou-se e construiu-se por existir o Tejo; o seu estuário, o maior da Europa, foi desde sempre o elemento central no desenvolvimento urbano da cidade, seu factor de identidade e de centralidade: se, por um lado, é um ecossistema de elevada valia ambiental, por outro pode ainda ser um dos motores para o crescimento sócio-económico. O “estilo marítimo”, e as hipóteses de consumo e fruição pública, são potencialidades que nos revelam as soluções: para haver pessoas junto ao rio é preciso haver edificação.
Entre as colunas do cais, “abarquemos” a panorâmica de 1800 entre os dois torreões. Já não podemos ter a malha urbana à beira-rio – Ribeira das Naus, Fundição das Artilharias, Sete Casas ou Alfândega – em que as fachadas estavam à beira da linha de água, num casamento total entre a cidade e o rio, com uma morfologia urbana de poucos espaços livres. Mas podemos ter o preenchimento de espaços vazios que evidenciem o Terreiro do Paço, no topo da hierarquia urbana.
A este propósito, relembro ao Comissariado a interessante proposta urbanística e arquitectónica de Gonçalo Cornélio da Silva, arquitecto da câmara municipal, que repõe essa hierarquia, entre o Cais do Sodré e Santa Apolónia, rentabilizando as áreas de construção e sustentando, assim, as intervenções. Vale a pena o exercício de compatibilização desta ideia com a Proposta de Revitalização da Baixa-Chiado.
A solução está encontrada. Refundamos então por aí? É que não podemos correr o risco de, mais uma vez, deixar ao futuro apenas as ruínas de outro estágio de aprendizagem. É urgente passar à acção.

publicado por O provedor às 13:22
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