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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2006

Retrato de Lisboa

Artur Costa

Leitor do DN 

Nasci em Lisboa há 50 anos e lá vivi até aos 40 anos nas avenidas novas.

Hoje quando a vou visitar o que sinto é que ninguém quer saber duma cidade que podia ser uma das mais belas capitais da Europa. Já era mal tratada na altura em que lá vivi, mas pelo menos havia menos carros e a população era mais homogénea o que tornava a vida na rua possível. Hoje, as pessoas são arrastadas para centros comerciais e o comércio de rua vai morrendo lentamente, os carros ocupam os passeios, as passadeiras de peões, a entrada das casas está tapada e o automóvel está de tal maneira presente que não se vê a cidade. Além disso talvez o que mais descaracterizou a cidade foi a saída forçada de muitos dos seus habitantes mais jovens para a periferia, por causa dos preços das casas, o que torna Lisboa numa cidade habitada por velhos, imigrantes, pobres e ricos nos seus condomínios fechados, sem que o preço elevado dos imóveis tenha trazido melhores condições ou melhor aspecto para a cidade. Esta é uma cidade que se está a tornar terceiro mundista, onde as pessoas se servem dela sem qualquer relação de identificação com a cidade. È claro para mim que estas coisas só se mudam se as pessoas quiserem e que não é possível mudar o trânsito se toda a gente insistir em levar o carro para a porta do emprego ou para a porta de casa. Mas é possível que a polícia actue e multe e reboque quem está mal estacionado, coisa que eles fazem muito pouco, se calhar porque fazem a mesma coisa com os seus carros; também devia ser possível tornar muito mais cara a entrada e permanência dos carros em Lisboa, assim como criar uma rede de transportes realmente eficaz, com prioridade para as zonas mal servidas de metro por exemplo, dentro e fora da cidade. Sobretudo, é preciso mudar a população de Lisboa e chamar os Lisboetas de volta. Tudo isto é possível se essa for realmente a nossa prioridade, e as várias gestões de câmara que nos últimos 30 anos têm governado a cidade não tiveram a coragem para resolver nenhum destes problemas. É preciso que tenhamos o mesmo orgulho na nossa cidade que os Portuenses ou os de Barcelona têm nas suas.

Com esta administração, estava mais uma vez à espera da continuação duma gestão sem marca, com túneis que não adiantam nada para resolver estes problemas e com notícias de má gestão em empresas camarárias e finalmente aparece qualquer que pode potenciar mudança positiva na cidade - o plano baixa chiado. Não tenho conhecimentos técnicos para dizer se é o mais indicado para aquela zona, mas o facto de se querer fazer uma intervenção tão grande, numa zona chave da cidade que pretende tornar a dar-lhe o papel de coração da cidade em vez de ser uma zona de passagem desabitada, é o caminho certo para a mudança, mesmo que envolva riscos que certamente vai haver.

publicado por O provedor às 17:42
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