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Quarta-feira, 15 de Novembro de 2006

Baixa é já uma opção válida de habitação

Frederico Baião do Nascimento

Diplomata 

 

Encontrando-me em processo de mudança de casa, tenho procurado apartamentos na zona da Baixa onde já vai havendo alguma oferta, decorrente da recuperação de prédios progresivamente desocupados por arrendatários com rendas "antigas". 

O que tenho encontrado são espaços extraordinários, com pé direito muito alto, azulejos do século XVIII, grandes janelas e com um custo por m2 muito interesante. A àrea é de extrema centralidade, não só no que toca ao recurso aos transportes públicos - que, ao contrário do que quer fazer crer um certo discurso miserabilístico que nos caracteriza, nunca foram tão bons nesta cidade (basta pensar que há 20 anos a rede de metro se limitava a um ridículo Y e nos modernos e funcionais eléctricos rápidos que servem a zona ribeirinha) - mas também ao permitir deslocações a pé a zonas que vão de Santos a Alfama, passando pela Avenida da Liberdade e área circundante, Bairro Alto, Sé e Alfama. A zona ainda tem muito comércio, destacando-se neste aspecto a rua Augusta - que luxo fazer aqui compras e passear! - para não falar da zona complementar do Chiado. 

É claro que viver na Baixa não permitirá alguns dos confortos "modernos" como garagens nos próprios edifícios ou, em muitos casos, elevadores. Mas permite um estilo de vida muito rico em proximidade com a história - e sem o stress de longas horas por semana em "commuting" - cada vez mais assumido por populações que dão valor à dimensão cultural e à qualidade de vida (numa acepção menos "mecanizada" do termo) na sua vivência diária. 

Em suma. Penso que, de forma espontânea, à medida que a oferta de habitação requalificada na área vá aumentando, e caso sejam asseguradas algumas melhorias mínimas, a área se repovoará naturalmente por uma população com consciência cultural e com vontade de viver de uma forma mais sã, com menos recurso ao transporte individual e trocando engarrafamentos intermináveis para subúrbios por deslocações a pé, ou curtos trajectos em transportes públicos, por entre o nosso riquíssimo património monumental. É esse aliás o exemplo de muitos centros históricos europeus, como o de Madrid, onde vivo e que há pouco mais de dez anos estava decadente e era reduto de marginais, alcoólicos e toxicodependentes.  Noto que, no aspecto da segurança, a Baixa está em muito melhor situação do que o Centro de Madrid de há 15 anos.  

Sem querer desvalorizar o estudo de requalificação da Baixa, mais do que grandes projectos, como a circular das colinas - que obviamente seria uma ajuda importante para desviar trânsito, mas que provavelmente não será facilmente concretizável, sendo que, de qualquer forma, a questão do trânsito não inviabiliza uma reocupação da Baixa, tendo em conta os actuais sistemas de insonorização e o facto de que as ruas mais estreitas da zona não serem praticamente atravessadas por automóveis - seria importante apostar em pequenas iniciativas que permitiriam consolidar um fenómeno natural, de mercado, de apropriação de um espaço que, pelo termino dos antigos contratos de arrendamento, volta a ser disponibilizado aos habitantes de Lisboa. Estas medidas passariam, por exemplo por uma maior cobertura policial numa zona que, pelo seu progressivo esvaziamento, pode dar sensação de insegurança de noite/madrugada, ou pela criação de um ou dois parques de automóveis utilizando como silos prédios devolutos.

São estas as (pequenas e relativamente baratas) condições que, caso asseguradas, me decidiriam em definitivo em optar pela Baixa para viver.  É importante que não se perca a dimensão do concretizável no imediato na discussão da totalidade do plano, para que, como afirma Mega Ferreira, uma eventual, e indesejável,  derrocada do macro não arrastasse, por um efeito de desânimo e fatalismo tão nosso, a inviabilização de pequenas medidas que, por si só, muito fariam para permitir uma ocupação, progressiva, orgânica da Baixa.

Estando estas asseguradas, decerto que muitos terão vontade de ter uma rotina que inclua almoçar no Martinho da Arcada ou no restaurante Terreiro do Paço, ir para o trabalho a pé atravessando a nossa Lisboa Monumental ou bordejando o Tejo e levar os filhos a brincar à Rua Augusta, ao Terreiro do Paço ou ao jardim da Cordoaria (que será ampliado no âmbito da construção das sedes das agências europeias sediadas em Lisboa). Seria uma óbvia escolha de bom gosto e de bom senso.

publicado por O provedor às 18:01
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