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Quarta-feira, 15 de Novembro de 2006

Plano demonstra uma mudança de mentalidades

Hugo Daniel de Oliveira

Leitor do DN

 

O anúncio de uma plano para a Baixa-Chiado, independentemente da sua exequibilidade, é por si um bom sinal, sobretudo porque demonstrar uma mudança de mentalidades na política urbana portuguesa. 

esde os anos 60 do Séc. XX – portanto quase meio século – que se assitiu ao paradigma da suburbanização das cidades portuguesas, enraizando-se profundamente uma ideia de cidade moderna, por oposição às cidades antigas, reduznido-as ao mínimo e muito ao estilo da exposição do Mundo Português, ou seja, mero cenário.

 

Qualquer cidade portuguesa contrasta profundamente com as congéneres europeias: subúrbios de grande dimensão, que não só absorvem o espaço rural  circundante, como também vão “sangrando” e ocupando os cascos antigos.

Qualquer câmara municipal neste país, fruto das receitas daí advenientes, prefere fazer mais uma avenida, mais uma rotunda, mais uma urbanização e, se possível, deixar cair as “as casas velhas”, esperando o desparecimento da população idosa aí residente.

Em Lisboa, que planos – no verdadeiro sentido da palavra – foram efectivamente aplicados, além de meros pormenores de uma ou outra avenida? Só mesmo Telheiras  e o Parque das Nações, de géneses muito diferentes, mas como o mesmo destino: de submissão aos interesses imobiliários.

Entretanto, crescendo a grande Lisboa, nos seus insuportáveis 3 milhões de habitantes, deixou-se à sua sorte a parte antiga, aos desfavorecidos (com excepção dos bairros que foram loteados aos condomínios fechados) e aos turistas, desejosos de fotografar o “Marrocos” da Europa.

Esqueceram-se os portugueses que já desde o Sec XX, na Europa, são os centros antigos que estão cheios de vida, que absorvem as tecnologias de ponta, que são os verdadeiros motores das áreas metropolitanas e que, a recuperação do edificado é acessível a qualquer classe social, espalhando-se as classes mais endinheiradas pelo centro e subúrbios (imagine-se!), também estes receptores de serviços e equipamentos, permitindo que as várias funções da cidade se deslocalizem, evitando a excessiva concentração.

A Baixa-Chiado é a montra da cidade e do país, já que é um dos locais mais visitados por estrangeiros. Aliás, demonstra bem o desleixo de poderes públicos e de cidadãos perante a sua própria cidade.

A Baixa-Chiado só poderá recuperar, antes demais, pela recuperação do edificado, para que seja exequível a entrada de novos habitantes e de novos serviços, baseados na novas tecnologias e, portanto, mais eficientes, menos espaçosos, menos onerosos.

A entrada de novos habitantes tem de ser sustentada por limitações de trânsito, mas acompanhada de uma verdadeira rede de transportes, que em Lisboa não existe e que assiste a políticas cada vez mais icentivadoras do uso do automóvel.

A recuperação do edificado terá de ser feita com controlo férreo da especulação imobiliária e com regras apertadas. Basta lembrar o plano gizado por Marquês de Pombal, após o terramoto, que definiu aéreas para cada uso, com margem de manobra para a cidade crescer espontâneamente.

E esse espírito terá de presidir na limitação da entrada de novos habitantes, pois a cidade antiga não foi feita para suportar o habitante do Sec XXI, que tem mais exigências de espaço, e priviligiar as pessoas – que as há- que não se importam de viver em casas mais pequenas, sem garagem ou sem planos familiares.

Uma rede de transportes eficiente, limpa e não excessiva será a espinha dorsal da acessibilidade, suportada por metro e eléctricos (que em Lisboa, incompreensivelmente foram quase abandonados), e nunca por demasiado estacionamento ou linhas de autocarro.

Sem estes itens, mas sobretudo, a recuperação, integral e não de fachada, do edificado, será impossível pensar numa nova Baixa.

Após essa base, e, talvez com o apoio de mecenas e entidades que se queiram aí instalar, começar a cativar novos públicos no domínio das artes, da restauração, museológiocos, criando sinergias multiplicadores.

Não è utópico, se pensarmos que muitos actividades, mesmo de pequena dimensão, se aventuraram no Parque das Nações ainda o espaço era um incógnita. Ora, a Baixa está longe disso, e com os sinais correctos, como este grande plano, poderá cativar o novo comércio e serviços – não de elite – da cidade.

Porque há-de chegar o dia em que 2/3 da Grande Lisboa chegarão ao ponto a que chegaram alguns dos subúrbios europeus, que começaram a ser demolidos, pois não haverá mais espaços suportáeis para viver nesta área metropolitana exageradamente grande e limitadora do crescimento nacional.

No entanto, e apesar das virtudes, há que compatibilizar esta renovação com a preservação do património, seja pela manutenção dos elementos identificadores históricos, seja pela sua não agressão, como por exemplo, a construção de arquitectura agressiva ou de parques de estacionamento que conflituem com as fundações das habitações e normal comportamento dos solos.

Assim , o plano apresentado, nas suas linhas gerais poderá ser o ponto certo de arranque para o desenvolvimento da cidade, pois isso só acontecerá na medida em que Lisboa se afirmar pela diferença e não pela fúria harmonizadora da globalização.

Será o plano certo porque aposta: no transporte público limpo, na entrada de habitantes limitada, na união do espaço central da Baixa às colinas, porque repete o êxito comprovado dos pequenos centros comerciais – Armazens do Chiado – como potenciador do comércio tradicional, porque aposta na ideia do desvio de trânsito de passagem, porque aposta na manutenção do aparelho do Estado, mas o reformado, porque enfrenta o poder instalado e incomprensível do Porto de Lisboa.

Já agora, em jeito de provocação, porque não aproveitar este plano para reformular, administrativamente, a cidade, criando bairros, distritos uranos ou circunscrições, como em outras cidades europeias, em que cada divisão, mais abrangente, fica entregue a cada vereador, permitindo uma gestão de escala mais eficiente e abrangente.

Aliás, como se pretende gerir um território relativamente pequeno, através da existência de várias mini-freguesias, desprovidas de qualquer poder de actuação e sem qualquer tipo de representatividade efectiva, uma vez que quem utiliza o espaço nem sequer é eleitor?

publicado por O provedor às 17:31
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